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MAM – ESPM

O REcine e a Cinemateca do MAM

A Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro sempre abrigou iniciativas que celebrem, expandam, investiguem, promovam, divulguem, materializem a cultura cinematográfica em suas diversas formas e manifestações. A história da Cinemateca do MAM passa por eventos dessa natureza desde o famoso e seminal História do Cinema Americano, promovido em 1958, e que sinalizou a existência da instituição e impactou a cidade com a descoberta que o cinema tinha um passado significativo como arte, cultura e história. Foi também neste momento que a Cinemateca do MAM começou a contribuir com a formação de novas gerações, apresentado aos futuros jovens realizadores do Cinema Novo, Cinema Marginal e do cinema independente e comercial não só uma programação de clássicos, como de filmes brasileiros e de obras contemporâneas. É preciso lembrar que naquele momento, a Cinemateca do MAM era a única forma de acesso no Rio de Janeiro tanto a um passado fílmico já algo distante, como a um presente que não passava pelo mercado. Não havia VHS, DVD, Blu-ray, web e links por todos os lados.

Manter esse compromisso nem sempre foi fácil e não o é neste momento de tempos sombrios e perspectivas incertas. Se a Mostra do Filme Científico brilhou na programação da Cinemateca do MAM de 1968 a 1983, foi um dos raros eventos a serem integralmente acolhidos no contexto ditatorial, em que pese a apresentação em primeira mão das seleções competitivas de festivais como Gramado e Brasília, reforçando a sempre necessária divulgação do Cinema Brasileiro. Já mais próximo da virada para o século XXI, as sucessivas crises minaram espaços, compromissos e investimentos necessários à manutenção de uma inserção do calendário de festivais na programação regular. Uma das poucas exceções foi o Festival do Rio, presente de forma irregular por alguns anos. Em 2015 a Cinemateca do MAM mudou sua atuação no relacionamento com o segmento, abrindo suas instalações às mais diferentes iniciativas, novas e antigas, sem restrições (a não ser as da disponibilidade do calendário), e com vistas tanto a ampliar sua atuação na divulgação do cinema e do audiovisual, em particular o brasileiro, como apoiar os promotores em um contexto de esvaziamento e mesmo suspensão do fomento à atividade cultural. Muitos eventos tradicionais viram-se privados de verbas que lhes permitissem um mínimo de infra-estrutura, e os novos sequer conseguissem alavancar uma primeira edição. Sensibilizada com o contexto momentâneo, a Cinemateca do MAM abriu suas portas ao máximo de iniciativas que suas limitadas condições e grade comportavam no momento.

Uma das poucas exceções a esse movimento geral da cultura cinematográfica no país é o REcine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, que se transferiu em 2015 para a Cinemateca do MAM. Pioneiro absoluto da preocupação e formalização de um evento voltado para o campo da preservação audiovisual no Brasil, iniciativa secundada pela Jornada Brasileira de Cinema Silencioso e pela Mostra de Cinema de Ouro Preto entre outras, distinguiu-se desde o início por tratar o passado não de forma aurática e cerimoniosa, mas por ver nele também a fonte inesgotável de novas formas, relações, interpretações a partir do chamado “material de arquivo”, isto é, a partir de trechos, segmentos, planos e imagens e sons que pudessem ser reutilizados como matéria-prima de novas criações, em um movimento paralelo à formalização de um novo campo, o chamado “cinema de arquivo” e sobretudo de uma nova etapa da criação cinematográfica, com nomes emblemáticos como os de Peter Forgács e no Brasil Joel Pizzini e Eduardo Escorel. O REcine se antecipou à nova onda e a acompanhou. Mas sua participação no processo não se esgota na divulgação dessas criações. Procurando participar ativamente, promove a valorização das novas obras por meio de uma estratégia competitiva, sem descuidar da apresentação das clássicas e mesmo das obras desconhecidas a esta altura junto a um novo público, e por meio de oficinas que estimulam a descoberta e manipulação criativa das imagens e sons em movimento vindos do passado. A formação se completa com visitas, debates e a reflexão através deste catálogo.

Para a Cinemateca do MAM, ao receber o evento que se iniciara no Arquivo Nacional a década e meia atrás, era a oportunidade para dar prosseguimento a sua missão institucional e para apoiar uma das iniciativas mais meritórias no campo da preservação audiovisual. Como promoção e valorização do passado em suas múltiplas formas e possibilidades, o REcine reforça e reverbera o trabalho de um arquivo de filmes, trazendo à tona o que muitas vezes passa completamente despercebido do grande público, a conservação física de rolos, fitas, arquivos digitais, sua catalogação para fins de pesquisa e acesso, e o compromisso de fazer chegar ao futuro o patrimônio audiovisual acumulado por um país como o Brasil, sempre carente de recursos e desdenhoso, por vezes, de sua trajetória histórica. Nesse sentido, o acolhimento do REcine veio preencher uma lacuna importante, um grande evento dedicado exclusiva e inovadoramente à preservação audiovisual. Um evento que já funciona para nós como uma comemoração antecipada do Dia Mundial da Preservação Audiovisual, comemorado em 27 de outubro. Na Cinemateca do MAM, o REcine abre o calendário que se estende por um mês, preenchido com outros festivais que abrigam também o passado do cinema de uma forma ou de outra. É a abertura de uma temporada de celebração do cinema e de seus construtores, uma dimensão que a edição de 2016 põe em relevo ao buscar “os filmes que falam dos filmes”, no dizer de Ricardo Favilla. Por conta de tudo isso, a Cinemateca do MAM acolhe com grande alegria mais uma edição do REcine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo em suas instalações e mais do que isso em seus cotidiano de 61 anos dedicados à preservação do patrimônio audiovisual mundial.

Hernani Heffner
Conservador-Chefe da Cinemateca do MAM

ESPM E O REcine.

A parceria da ESPM Rio e do REcine surgiu de um daqueles encontros que acontecem na hora certa, com as pessoas certas. Agora, no segundo ano juntos, ao estreitarmos essa relação, fica mais claro como isso tem tudo a ver com a nossa história e a nossa missão.

Fundada em 1951 como a Escola de Propaganda do MASP e sob o slogan ‘Ensina quem faz’, a ESPM tinha como filosofia reunir profissionais do mercado para ministrar seu curso, associando prática e teoria. Filosofia que é mantida até hoje, agora, com a missão de formar profissionais transformadores e expressa pelo slogan “Quem faz transforma”.

Se em sua origem a ESPM atendia a uma demanda do mercado de publicidade, ao longo de sessenta e cinco anos, percebeu a entrada em outras áreas de atuação como um caminho natural a ser seguido.

No Rio de Janeiro, em especial, a ESPM encontrou nas indústrias criativas a sua vocação. Um novo mercado que está recebendo muito investimento e que necessita de profissionais qualificados.

Primeiro, veio o curso de Administração com foco em Marketing e Entretenimento, alinhado com o potencial da cidade como polo do entretenimento.
Seguindo por esse caminho e buscando a excelência acadêmica, a ESPM Rio lançou, em 2015, o Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa, com o objetivo formar especialistas com conhecimento gerencial, legal e operacional do setor criativo.

A vocação do Rio para o audiovisual, principal local de produções do país para a indústria do cinema e, principalmente, para a televisão, apontou outras direções para a ESPM Rio, como a criação da graduação de Cinema e Audiovisual e de uma pós-graduação em Produção Audiovisual também em 2015, quando também nos aproximamos do REcine.

Era um ano em que o festival se reinventava e se renovava. Renovação que vinha impressa até mesmo no tema: o iê, iê, iê. Foi assim que se deu o encontro entre um curso de audiovisual jovem, na primeira turma, e o festival que há quinze anos revisita e preserva a memória do Cinema.

Esse ano, a ESPM Rio recebeu em seu espaço, pela primeira vez, a oficina do REcine. Para uma escola que lida com educação há 65 anos, não poderia fazer mais sentido. A prática também não ficou de fora. A Origem, a agência de publicidade formada por estudantes, foi a responsável por toda a comunicação visual desta edição. Além disso, alguns estudantes de Cinema e Audiovisual podem acompanhar de perto o festival, atuando como monitores na mostra competitiva.
Em um ano em que o REcine se volta para o próprio cinema, reforçamos a importância dessa parceria e o prazer em fazer parte dessa história.

Flávia Flamínio
Diretora Geral da ESPM Rio

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